|Let me fly away with you|.|Give me more than one caress, satisfy this hungriness|.|Let the wind blow through your heart|.|For wild is the wind, wild is the wind|.|For we're like creatures of the wind, and wild is the wind|.|Wild is the wind…|

11
Mar 06
I

Estava um dia risonho. O reflexo dos raios de sol na água criava um festival de cores magnífico.
Foi o dia que Roberta escolheu para morrer...
Trajava maravilhosamente um vestido branco de tule que voava ao sabor do vento.
Sentou-se numa rocha junto ao mar, olhando o ramo de jarros que trazia para lhe oferecer. Eram as suas flores favoritas. E o mar a sua paisagem de eleição.
Ele estava sereno, como se aguardasse que ela entrasse no mais profundo de si.
Fora com ele que partilhara os melhores e piores momentos da sua vida. Deixou o seu olhar divagar para além das ondas, que quase lhe rebentavam junto aos pés.
Mar... Seu melhor amante, amigo, irmão. Sempre esteve ali, à sua espera. Tentos sorrisos, tantas lágrimas a que ele assistiu. E, sem um único momento de ausência, continuou a brilhar. Só faria sentido entregar-lhe também, a si,o seu último suspiro.
Largou os sapatos na areia, tacteando com os dedos dos pés, os beijos que a água lhe ia dando. A barra do seu vestido acompanhava o seu ar pesado, molhada a partir das extremidades. Percorreu a costa até o pôr-do-sol chegar.
- Chegou a hora, pensou.
Estavam todos ali: Ela, o pôr-do-sol e o mar.
Chorou intensamente durante alguns minutos. Depois limpou o rosto das lágrimas que o lavavam e... Sorriu para o mar.
- Estou aqui, disse-lhe.
Foi entrando, aos poucos, dentro dele. E a água começou a acariciar-lhe o corpo, revelando as suas formas e criando uma transparência sensualíssima no vestido que lhe envolvia a pele branca. Era uma mulher linda e, naquele momento, quase parecia uma miragem.

Libertando-se de tudo ou fugindo do que já não tinha coragem de enfrentar... Começou a afundar-se. Entregou-se ao mar, carregando a oferenda dos jarros que agarrava junto ao peito. Foi caindo, caindo, cada vez no mais profundo daquele universo aquático. E, enquanto engolia a água salgada, sentiu-se embriagada pelas imagens da vida que teve. Soltou um grito, quando já lhe parecia tarde para desistir. Soou como um gluckh, glukch, grlhuck... E as bolas de ar iam desaparecendo junto com esta palavra que soltou: Amo-te!
E, foi nesse grito que esgotou as suas forças.
Foi navegando ao sabor da maré, como uma mortalha.

Quando Raul chegou, correu em direcção ao mar. Sabia que a encontraria ali, mas esperava encontrá-la de outra forma...
Descobriu o corpo dela estendido na areia, o vestido manchado e molhado em tons (agora) de madrepérola e alguns jarros que lhe faziam companhia, junto com as algas e as conchas. Olhou o seu corpo maravilhoso, com todas as formas reveladas.
Caiu sob ela, não querendo acreditar no que via. Agarrou-a, beijou-a, sacudiu-a fortemente na esperança de a reanimar.
- Acorda Roberta! Estou aqui!
Chorou, pela primeira vez, na sua presença... Mas isso ela também já não viu.
E, aqueles beijos não a trouxeram de volta. Pois, apesar da sua pele pálida e do seu rosto de princesa ela não era a Branca de Neve, nem ele um príncipe encantado.
Acabou. Tudo acabou. E ele soluçava de raiva por Roberta ter ido, por ter desistido de lutar.
O porquê desta decisão dela?
Teremos que regressar atrás para o desvendarmos...
publicado por nOgS às 00:30

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